Segunda, 18:oo hs., minha casa; frio...........
Certa vez, acho que final do ano 1999, estava eu na casa do Ivam, fumando crack; O Ivam, parceiro meu desde a minha infância, morava em tres comodos numa favela, comodos esses localizado sob outra residencia, onde moravam parentes de sua falecida esposa; Carminha, que morreu de tanto fumar Crack.
A casa do Ivam servia-me como fumadouro; sempre estava la; nessa ocasião que relato agora, estava eu ja ha quatro dias fumando crack; dia e noite sem parar; sem me alimentar, só bebendo agua e fumando.
Na quinta noite, inicio dela, chamei o Ivam para ir comigo em algum lugar, comer alguma, pois me sentia fraco; saimos no meu carro, uma parati azul; passamos primeiro na boca e eu comprei mais cinco pedras; O Ivam me indicou uma lanchonete e rumamos pra lá; no trajeto, as luzes dos farois que vinham em sentido contrário ao meu, me ofuscavam mais que o normal e em seguida a rua começava a sumir da minha visão; comentei o fato com o Ivam e ele pediu para que eu dirigisse bem devagar e com maior cuidado.
Consegui chegar na lanchonete, que estava lotada; sentamos a uma mesa, pedi duas cervejas e um frango assado; tomei alguns goles de cerveja e quando o frango chegou, peguei um pedaço, mastiguei, e em seguida apaguei.
Acordei na casa do Ivam, em sua cama, chamei-o pois me encontrava sózinho no quarto; O Ivam estava na sala, assistindo tv e ficou contente por eu ter acordado; ja éra 3:30 da manhã. O Ivam disse que após eu ter apagado, começei a roncar alto e forte; pegou então minhas armas que estavam na minha cintura - uma pistola e um oitão - ( nessa época ainda era policial ); com discrição, pegou-me no colo e colocou-me em no carro; não sabendo dirigir, disse que veio ate sua casa na primeira marcha; pediu ajuda pra alguns amigos para ajudar a me conduzir para seu barraco, pois tinha escada para subir; nada disso eu vi, foi como se eu tivesse morrido.
Após contar-me o fato; perguntei-lhe sobre as pedras de crack que eu havia comprado; disse-me que tinha fumado duas e que restavam ainda tres; começei então novamente a fumar.
O barraco do Ivam era feito de alvenaria, porém não havia reboco; tinha muitas frestas e enquanto eu fumava, olhava-as e achava que alguem estava por ali me observando; fumava com uma arma na mão;as vezes via sombras, vultos, se locomovendo pelas paredes; chegava a apontar a arma pra elas.
Fase ruim, que durou oito anos; fiquei muito magro; cheguei a pesar 49 kg; tinha a aparencia daqueles famigerados da etiópia;algumas pessoas pensavam que eu tinha aids.
Cansei de ficar por tres, quatro, cinco dias, trancado no banheiro da minha casa, só fumando crack; meus filhos iam para a escola sem escovar os dentes; minha mulher e eles tinham que tomar banho na casa de vizinhos ou da minha irmã; faziam suas necessidades fisiológicas em sacos plásticos; tinham medo de mim, pois ficava alí trancado, fumando e com duas armas.
Por várias vezes, ouvia vozes, sempre de alguem dizendo que iria invadir o banheiro onde eu estava e que iria me matar; dia de domingo o Silvio Santos falava para o Roque: olha lá Roque, ele não consegue nem mais segurar a fumaça; ria, dizia que eu iria acabar atirando na minha própria cabeça; durante o dia se passasse helicópteros sob minha casa, eu imaginava policias da corregedoria descendo de rapel para me pegar e me matar.
Tempos ruins; após perder o meu emprego, consegui parar de fumar crack; o sistema preferiu me mandar embora ao invés de me dar um tratamento; coisas do sistema.
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Comecei bem jovenzinho; tinha 15 ou 16 anos; Pholhas era o som da atualidade, viéram tocar em Itaquera/sp;, pegamos uma meióta, o Landão que colocou na banca; não me lembro mais quem tava na parada; acho que uns treis; fumamos; o Landão mandava puxar e segurar; era noite, a lua era mágica; o clima do ambiante era extraordinariamente lindo; sem preocupações; caminhamos por quase quarenta minutos até chegarmos ao som; nesse meio tempo, fiquei na brisa, coisa linda; o Landão mandava eu olhar as luzes e ler o que estava escrito nas placas da rua; minha boca ficou ressecada;. não sentia mais o meu andar; tudo era paz, harmonia total; estava entregue a loucura daquele momento; percorriamos as ruas e vielas, achava tudo lindo, maravilhoso; tinha fugido de casa, do meu pai; cara estupido, militar fracassado, só sabia receber ordens e em casa, tratava-me como se eu fosse seu subordinado; estupido, coitado;não aprendeu nada. Chegando ao som dos Pholhas, o som era My mistake, não sei escrever direito; ambiente mágico, fumaça no ar, pessoas rindo, loucas de felicidades, anos setenta; Compramos os ingressos; todos entraram, mas na portaria tinha revista policial; eu portando um canivete, fiquei por último, tive medo de ser descoberto; voltei e tentei malocar o canivete; nenhum lugar que eu escolhia era seguro; naquela nóia, fiquei por algum tempo; desisti e resolvi ir embora; sózinho as coisas se complicaram; as placas que o Landão tinha mandado eu ler, ja estavam diferentes; elas interagiam comigo, brilhavam em cores que eu nunca tinha visto antes; os sons da noite se modificaram; éram mais profundos, mais intensos, sobrenaturais; mas assim mesmo, éra mágico, coisa linda; minha boca estava seca, tentava cuspir e não conseguia; aquela caminhada até a minha casa foi uma viajem bem louca; não me lembro da minha chegada em casa e nem do que aconteceu depois......registrado em 01/05/2011; noite chuvosa, minha casa....ferraz de vasconcelos/sp; brasil....
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Um comentário:
coisa linda é passar por tudo isso e hj poder contar q superou e encontrou a paz interior ...
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